quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Das relações

Ontem eu refletia quanto ao termo "meu". Não é raro ver caras de estranhamento em relação ao meu relacionamento com quem passa na minha vida. Só considero um ex-namorado, apesar de ter namorado uma 1/2 dúzia de caras: os outros se tornaram bons amigos, só esse fulano ficou lá no passado como um namoro que não daria em mais nada.
Mesmo assim não é "meu ex". Pronomes possessivos só devem ser aplicados àquelas relações que permanecem. Tive a maturidade - não só minha, claro - de poder dar fim a relacionamentos passionais por inviabilidade emocinal, mas manter o carinho, o respeito e as afinidades a ponto de poder considerar um deles meu melhor amigo.

Hoje me deparei novamente com uma referência ao medo - e retomei reflexões a respeito do pânico latente em relação tanto à solidão quanto ao sentimento de prisão criado através das relações humanas que tenho percebido em muitas pessoas. Traumas por falta de liberdade, travas de comportamento desencadeadas por humilhações públicas, gaps incorrigíveis causados por frustrações sobre expectativas em relação aos parceiros ou relacionamentos, e o mais triste de tudo, a sensação de que é natural um relacionamento estar fadado à aceitação de mau-humor, desgosto e frieza.

Agora a voz de uma amiga retomando o assunto desgaste causado por tempo de relacionamento, excesso de familiaridade e perda de respeito não me deixam dormir ao pensar: até quando vou precisar enfrentar caras de espanto quando declaro aberta e orgulhosamente que meus relacionamentos, assim como os 26 anos de casamento e mais de 30 de namoro dos meus pais - e espero sinceramente que de tantos outros - foi inteiramente pautado na confiança mútua e gratuita entre os parceiros, na amizade acima do desejo, na intimidade que ainda preserva a curiosidade e as descobertas, na valorização da individualidade...

Quanto tempo ainda vai demorar pra que os seres humanos possam perceber a hipocrisia das disputas de ego e começarem a encarar as relações - sejam elas namoros, rolos, casamentos, paternidades, paixões arrebatadoras - como uma forma de aprender e crescer com outrem através da convivência, equilíbrio e engrandecimento um para o outro, sem significar a posse, dominação ou subordinação daquele que você diz amar?

3 comentários:

GJ disse...

Não creio que verei essa evolução do comportamento nessa encarnação... Mas, desde que uma pessoa consiga enxergar essa diferença, então a ideologia não foi em vão.

Ivan disse...

Quanto tempo, Lary?
Que tal pra sempre? rssss
Complicado o ser humano e suas idiossincrasias. Ótimo o seu texto e excelente ponderações. Estou com voce.

Beijinhos.

Ivan.

Anônimo disse...

O problema não são os dramas pontuais, porque esses todos fazem, eu faço (e muito)!
O problema é que existem pessoas que são intensas demais...e isso me irrita, uma das poucas coisas que me irritam na verdae é isso.

Problemas todo mundo tem, mas tem sempre aquele chato que insiste em ter mais problemas que os outros e ainda quer que voce ouça eles.
Normalmente eles são facilmente identificados, porque quando voce (por pura educação, que voce aprendeu em casa) pergunta 'tudo bem?' - apenas como cumprimento - ele responde, 'mais ou menos...'..aff
Me canso fácil de pessoas assim!


Quanto tempo vai demorar? Faz diferença? Do alto da minha breguisse, se não fosse tão fria e calculista, teria a capacidade de dizer que se o sentimento realmente vale a pena, o tempo que vai levar para ele amadurecer e compreender as nuances da vida é completamente indiferente.

se cuida