Numa conversa com meu Orientador ontem, nem sempre o processo de mudança atinge os seus objetivos específicos, mas a mudança em si gera outras nuances que acabam por atingir objetivos maiores do que os diretamente ligados à ação.
Por exemplo, a ginástica laboral não alivia, por si só, os prejuízos das lesões, mas ao passar a cuidar do seu corpo e alimentação, o empregado passa a ter uma modificação na sua auto-estima e consequentemente farotes psicomotores serão alterados, chegando ao resultado de melhoria na sua qualidade de vida que a ginástica isolada não conseguiria promover.
Já sobre o assunto tecnologia, começaram a circular informações sobre o RIC, a nova identidade, que reunirá, num só documento, todos os dados dos cidadãos brasileiros e naturalizados, como RG, CPF, cor da pele, peso. O chip do cartão permitirá a integração dos dados numa única base de informação, dificultando falsificações.
Mesma resposta do meu orientador: nem sempre o resultado da ação isolada é o mesmo da reação em cadeia gerada pela ação em si. A simples implantação do mesmo tipo de chip nos cartões de banco gerou uma revolução nítida. Senhoras que iam ao banco só pra sacar a sua aposentadoria, agora levam um acompanhante pra lhes ajudar a entender o processo e passaram a investir seu dinheirinho pelo simples fato de terem maior contato com o banco e seus gerentes.
Fiquei imaginando aquela família raquítica exibindo seus cartões magnéticos de Identidade Civil. O sentimento estampado ali é o de inclusão social, de cidadania integrada, de evolução. Aquele simples cartãozinho certamente causará um efeito psicológico que irá deixar a comida mais gostosa, os estudos mais estimulantes, a família mais esperançosa... E os "classe A-B", já acostumado à tecnologia, se vêem integrados às grandes nações, pois passa a perceber a praticidade de uma mudança desse tipo, vislumbrando uma atenção do Governo com a estruturação e promoção da cidadania.
É, os investimentos diretos em Educação e Bolsas (Família, Gás, Escola, escambal) podem criar sempre mais espectativas, mas ao mudar a perspectiva da população, quem sabe o povo não se convence que não é coitadinho e, ao invés de pedir "esmola" pro Governo, não passa a se considerar cidadão de uma nação que tem tudo pra ser deixar de ser considerada terceiro mundo...