Nas últimas semanas eu tenho conversado muito com muita gente, e observado, ouvido e refletido muito mais do que me expressado.
Um cara aqui do trabalho veio me contar das aventuras - e desventuras, claro - com suas tentativas de relacionamento. Momentos completamente diferentes de vida, perspectivas, maturidade. É gostoso na balada, quando tudo são risos e feitiços, mas na convivência diária, que exige dedicação, abdicação, compreensão, paciência é que se vê a real sintonia entre as pessoas.
Por outro lado um outro amigo desabafou hoje sobre os traumas de se entregar a um novo relacionamento - mesmo os que se vê logo de cara a total sintonia - por ter se dedicado inteiramente a alguém anos atrás completamente incompatível e que lhe roubou o chão e a fé no amor. E nessa confidencialidade tem hora que se confunde com compatibilidade, e a coisa se estranha.
Enquanto eu espero o tempo adequado pra retomar um relacionamento que eu creio ainda ter muito pra acontecer - incompatível momentaneamente, acredito, por (in)segurança com o que havia ficado pra trás e o que poderia acontecer - a serenidade que eu tive que desenvolver tem atraído olhares que não me interessam - incompatíveis nos interesses - apesar de inflar o ego e me fazer questionar por que não tinha sido conveniente daquela vez com aquele cara.
Admito que até esse relacionamento interrompido tenha suas incompatibilidades: saí de um namoro que se esgotou nas tentativas, já ele tentava na certeza de que falharia. Ambos abrimos mão de convivências, de valores, dos nossos egos até, passamos um tempo sem sorrir. Mas quando eu olho pra trás tenho boas lembranças, ele simplesmente não olha. Eu tenho a necessidade de pertencer, de saber que não só existo como sou essencial, de conversar, de esclarecer, participar. Ele se prende em demasia e prefere aproveitar a liberdade por enquanto, fica introspectivo, aéreo, tem horror a permitir alguém ajudando que seja a buscar um documento no caminho pra casa.
Não sei. Acho que as imcompatibilidades só persistem se não esclarecidas, e se insiste em conviver com as insuportáveis. Silêncio é a pior resposta, pra variar.
3 comentários:
"Ambos abrimos mão de convivências, de valores, dos nossos egos até, passamos um tempo sem sorrir. Mas quando eu olho pra trás tenho boas lembranças, ele simplesmente não olha. Eu tenho a necessidade de pertencer, de saber que não só existo como sou essencial, de conversar, de esclarecer, participar."
Tipo aquela sensação de...estar viva? Diria que sim.
=*
tenho lido, estudado, e escutado como nunca. queria compartilhar com você do que tenho aprendido. conhecimento nunca é demais.
aprendi tanto tanto a compreender o silencio, espero que tambem comrpeenda, em breve....
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