Saindo do restaurante um mendigo me pediu um marmitex. Com os olhos cheios d'água da mesma maneira que eu estava outro dia a mendigar um abraço quente.
- Tô com tanta fome, moça...
Nem pensei, voltei ao caixa, deixei pago e pedi pra garçonete servi-lo.
Mas e a fome que eu sentia?
- Tô com tanta saudade, mô...
É, eu exagerei.
Exagerei principalmente em querer ser maior do que realmente sou, de esperar que patrões, amigos e pessoas me vissem como uma mulhar competente, interessante, respeitável.
E sim, me permito dramatizar o apocalipse quando me sinto pra baixo. Choro porque não tenho pra onde crescer no meu trabalho, me vitimizo por não poder visitar uma amiga que moram no Tubalina, broxo por não sentir tesão na vida.
Mas também me jogo sempre e me permito sofrer ao máximo pra estar pronta pra recomeçar.
Dou gargalhada pra alegrar o ambiente, respiro fundo pra manter o foco e a calma, ligo pras amigas e pego as sapatilhas pra brincar na sala, leio meus projetos e acrescento algumas idéias, visto langerie provocante pra ir falar oi pro namorado mau-humorado depois de visitas delicadas...
-Tô com tanto medo, linda...
O mendigo era invisível pra quem estava preocupado demais com sabe-se lá o quê. Essa semana tive de me fazer ver por mim mesma. E fiquei só esperando dar final de semana pra poder respirar tranquila, ter aquele abraço quente que quis mendigar a semana inteira e matar minha fome...
-Tô com tanta vontade, vida...
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Fome...
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Quinta-feira, Maio 21, 2009
Quem cala consente?
No MBA essa semana meu ego foi lá em cima: o grupo inteiro se voltou pra mim pedindo opinião e orientação. Menos um, que parecia sonolento demais pra opinar (ou se manifestar de qualquer forma) até que no final resolveu dar indiretas como se houvesse sido excluído do grupo.
Daí, meu ego fragmentou-se e fiquei me questonando: quem cala consente?
A pessoa teve a oportunidade de dizer o que quisesse (pq, como diz o professor, vc pode falar quanta merda quiser em aula, só não o faça no dia da prova), de interferir nas decisões do grupo quando discordasse, de contribuir, e com o seu silêncio só fez aumentar (ou fomentar mesmo) a imagem de rejeição. Finalmente explodiu uma chamazinha de revolta.
Na nossa democracia, teoricamente, todos tem seus direitos de expressão, mas só prevalece a opinião da maioria (Leia-se criticamente 50%+1), sendo que o resto deve curvar-se a essa vontade, mesmo que seja completamente inviável para a minoria (novamente 50%-1).
É a ditadura da maioria. Quem consegue influenciar mais pessoas "neutras", ganha. E não existe um concenso entre as opiniões, de forma a realmente atender a todos "democraticamente" (ou seria descentemente)... No final, o "resto" tem que aceitar a decisão arbitrariamente.
E isso me faz voltar à estorinha que me trouxe aqui: não estaríamos todos tão acostumados à essa repressão, a imposição autoritária de idéias, conceitos, estilos, que é preferível(ou pre-programado) abstermos de manifestações pra manter a pose de oprimido?
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Disparidade
Comecei a namorar um sonhador há alguns anos.
Me apaixonei pelo grande pensador e empreendedor que passei a conhecer.
Apesar de eu ter uma vida de proletária, por ser necessária à minha sobrevivência (e porque não, do meu ego) na sociedade em que vivemos hoje, nunca esperei que meu namorado buscasseum "emprego normal", porque acreditopiamente que cada um tem um papelfundamentalna sociedade. E o deleera de pensar, analisar, reformular, criar.
Entretanto, umafrustração enorme tem esbarrado emtodos os projetos que direta, ou idiretamente, estão sendo desenvolvidos...
Embora existam diversas formas de fomento, financiamento, fundos, um item é insistente: capital. Acaba ficando a imagem de que só quem tem dinheiro pode criar algo novo, aumentando ainda mais a disparidadeentre"empregados" e "patrões", uma vez que quem trabalha demais (pra ter salário suficiente pra sobreviver) não tem tempo de criar, ou no mínimo aprender a controlar o orçamento de modo a permitir investimentos.
Essa disparidade tem, a cada dia mais, me tirado o sono. Principalmente quando a própria idealização de uma humanidade (e não sociedade) que produza o sificiente pra que todos tenham, e a distribuição seja equitária é preciso poder de persuação, que hoje só podeser exercida pelo poder financeiro...
Nossa, quanto ainda precisa ser discutido...
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Quinta-feira, Abril 30, 2009
Contraponto
Sempre fui muito careta. Anti-social mesmo.
Ele era baladeiro, don-juan, boemio.
Nunca pensei ser mais do que uma boa funcionária.
Ele vive de planos audaciosos e revoluções.
Me apaixonei pelo que passei a conhecer.
Ele nunca ficou neutro, jamais foi comum.
Me comprometi a ser indispensável.
Ele se distraía com tanta pressão.
Quis ser amelhor: amante, amiga, secretária, cliente.
A frustração com os percaussos o minavam.
Decidi agir ao contrário e investir na não-pressão.
Quanto mais tenso, mais o levava pra longe.
Achei que assim evitaria uma explosão desmensurada.
E acredito que, já que não soube te ajudar a construir,
não vou deixar que se auto-destrua.
No meio de todo esse turbilhão que tem se tornado os dias,
quero ser o ponto de serenidade, onde é não permitirei que o mal te atinja.
Sexta-feira, Abril 17, 2009
Frase do dia
é porque está gastando seu tempo
com o que não dá dinheiro.

