sexta-feira, agosto 29, 2008

Tecnologias de primeiro mundo...

... mas e a cultura de terceiro mundo que ainda impera?

Numa conversa com meu Orientador ontem, nem sempre o processo de mudança atinge os seus objetivos específicos, mas a mudança em si gera outras nuances que acabam por atingir objetivos maiores do que os diretamente ligados à ação.

Por exemplo, a ginástica laboral não alivia, por si só, os prejuízos das lesões, mas ao passar a cuidar do seu corpo e alimentação, o empregado passa a ter uma modificação na sua auto-estima e consequentemente farotes psicomotores serão alterados, chegando ao resultado de melhoria na sua qualidade de vida que a ginástica isolada não conseguiria promover.

Já sobre o assunto tecnologia, começaram a circular informações sobre o RIC, a nova identidade, que reunirá, num só documento, todos os dados dos cidadãos brasileiros e naturalizados, como RG, CPF, cor da pele, peso. O chip do cartão permitirá a integração dos dados numa única base de informação, dificultando falsificações.



Logo me veio o censo social: com tanta gente Brasil afora que não tem sequer uma certidão de nascimento e um prato de comida por dia, como propagar essa cultura tecnológica de primeiro mundo?

Mesma resposta do meu orientador: nem sempre o resultado da ação isolada é o mesmo da reação em cadeia gerada pela ação em si. A simples implantação do mesmo tipo de chip nos cartões de banco gerou uma revolução nítida. Senhoras que iam ao banco só pra sacar a sua aposentadoria, agora levam um acompanhante pra lhes ajudar a entender o processo e passaram a investir seu dinheirinho pelo simples fato de terem maior contato com o banco e seus gerentes.

Fiquei imaginando aquela família raquítica exibindo seus cartões magnéticos de Identidade Civil. O sentimento estampado ali é o de inclusão social, de cidadania integrada, de evolução. Aquele simples cartãozinho certamente causará um efeito psicológico que irá deixar a comida mais gostosa, os estudos mais estimulantes, a família mais esperançosa... E os "classe A-B", já acostumado à tecnologia, se vêem integrados às grandes nações, pois passa a perceber a praticidade de uma mudança desse tipo, vislumbrando uma atenção do Governo com a estruturação e promoção da cidadania.

É, os investimentos diretos em Educação e Bolsas (Família, Gás, Escola, escambal) podem criar sempre mais espectativas, mas ao mudar a perspectiva da população, quem sabe o povo não se convence que não é coitadinho e, ao invés de pedir "esmola" pro Governo, não passa a se considerar cidadão de uma nação que tem tudo pra ser deixar de ser considerada terceiro mundo...

5 comentários:

Anônimo disse...

Com relação ao post do blog (muito bem escrito por sinal) eu tenho alguns comentários
Acho sim que é uma evolução imensa poder ser identificado por um chip na sua identidade, chip esse que enviaria informações para os computadores federais e evitaria fraudes gigantescas na previdência e nas contas bancarias alheias.
Mas pense comigo: como um pais onde quase 13% das pessoas nao tem certidão de nascimento, nao consigo visualizar um plano de inclusão que abrangesse 100% dessa população.
Outro grande problema é a nossa infra-estrutura. acho mesmo que a idéia é boa, mas conhecendo a infra-estrutura das delegacias, cartórios, escolas e repartições publicas no Brasil, te garanto, e digo sem sombra de duvidas, muito difícil conseguir manter os dados de milhares de pessoas em maquinas com Windows 98. Há lugares, nao muito longe dos grandes centros, onde secretarias de ensino não tem sequer internet discada, imagine um link direto com Brasília.
Com a fragilidade do nosso sistema, não demorará muito para um pseudo-hacker invadir a base de dados do INI e retirar algumas informações para uso pessoal.
Um grande exemplo disso é o cartão do SUS, eu o tenho há pelo menos 5 anos e pergunte quantas vezes ele foi utilizado na maneira correta?
Da minha parte nenhuma! A nao ser pelos números contidos nele, se fosse apenas para utilizar os numero nao precisaríamos gastar tanto dinheiro com os cartões, certo?
Concordo com voce quando diz que um cartão com toda essa modernidade aumentaria a auto-estima do povo, mas me diga, voce acha mesmo que o policial rodoviário terá um leitor de cartões/chip para verificar se seu licenciamento está em dia? Ou então os hospitais públicos terão leitores que identifiquem o tipo sanguíneo do paciente recém chegado de um acidente de transito?
Tenho certeza que é um método que funciona em países de 1º mundo, mas tenho ainda minhas duvidas com relação ao Brasil,
Temos muito ainda que mudar, e nao acredito que medidas tecnológicas sejam a nossa solução.Nunca sairemos do 3º mundo se continuarmos com o pensamento brasileiro de "tá ruim, mas tá bom".
Apenas uma simples opinião de quem está do outro lado da tecnologia...

Bjs

Lary disse...

É esse o tipo de discussão que deveria povoar a blogsfera: reflexão!

Muito me honra ser criticada assim, dessa maneira a gente pensa por outras perspectivas e vai se aprimorando...

VALEW!!!

Henrique W. disse...

quero um código de barras tatuado na minha nuca...

=O

muito boa a reflexão que sai do post!
bjoks

Clara Moriá disse...

Bom, é complexo demais. Então eu comento para marcar minha presença! :D
te amo ♥

Rafael Rocha disse...

hehehehe
muito obrigado pelo video :-)

voltei a postar no meu blog ^^