sexta-feira, setembro 19, 2008

Pior cego é o que não quer ver

Ontem fui interpelada por um jovenzinho sobre a reinclusão de ex-viciados e menores "problemáticos" que hoje tentam integrar o mercado de trabalho, e ele comentou sobre a hipocrisia da sociedade em geral sobre a imagem de que esse "tipo de gente" nunca consegue ser alguém na vida.
Claro que não! Ninguém enxerga o menino como uma pessoa que errou, tomou na cara e agora quer recuperar o tempo perdido! "Você teria preconceito de apertar a mão ou dar um abraço num ex detento que lhe venha pedir uma oportunidade?" Ao responder que sem o menor problema, o rapaz ainda me solta "Incrível como você se sente tão a vontade ao declarar isso. A sociedade é tão hipócrita, mas a gente ainda encontra gente que acredita na gente..."
Aquilo me deu uma revolta, não pelo fato de ele me achar diferente do resto, mas por sempre voltar no fato de a sociedade ser hipócrita. Guri, olha no espelho e vê quem é o hipócrita! Tá, eu sei que o menino cheirava cola pra despistar a fome porque era mais barato e "eficiente", mas, da mesma forma que eu não aceito minhas colegas de faculdade dando faniquito na apresentação de trabalho porque tão super angustiadas com a faculdade acabando e as revoluções consequentes disso, não acredito que a pessoa não tenha um só momento de reflexão na vida pra se olhar e dizer: é, fugir da PM tá f*da, vou pegar as balas que eu vendo no sinal e montar uma cesta de doces pra vender nas lojas. (sei que o buraco é mais embaixo, é só pra cutucar as reflexões desse fim de semana...)

Aí, a loura-mor das manhãs globais me solta a indignação por um grupo de deficientes visuais aprendendo a surfar. Qual o problema? Surfista só precisa ver se tem gente no caminho dele e desviar, porque de resto, é sentir as ondas e ouvir o mar... Fica parecendo que não precisam só de uma adaptação, mas que são incapazes de fazer qualquer coisa! Final da matéria e o Luigi Baricelli me solta, só pra eu ficar feliz: "Eu só consegui me equilibrar na prancha quando estava vendado."

É, tem gente que confia e acredita demais na miopia dos olhos, e esquece de analisar, pensar, refletir, sentir... Tenho absoluta certeza que se olhássemos mais pra gente, e deixasse de culpar outrem pelo nosso insucesso, permitiríamos mais do nosso potencial ser usado de maneira correta e eficiente. Teríamos mais tempo pra viver e menos tempo pra se frustrar.

3 comentários:

Anônimo disse...

Um dia, sem saber, econtrei alguem que me apontou uma janela.
Percebi na hora o que deveria fazer, e o fiz.
Debruçada na janela, entendi porque algumas coisas ate hoje nunca me fizeram sentido. Mas agora, vendo por outro lado, já fazem.
Vendo a janela, que dava pr'aquele quintal, nada desafiador, entendi o porque de encontrar alguem pra me apontar aquela janela.
Ao sair da janela, fui do lado de fora, e percebi que muitas pessoas olhavam pela mesma janela, mas aparentemente nao viam o mesmo que eu. Algumas viam belezas maravilhossas, outras viam apenas o muro descascado.
Foi tambem do lado de fora que entendi que nem sempre as pessoas, por mais que a gente tente, conseguem enxergar naquele quintal a simplicidade existente.
Talvez eu nunca tenha agradecido a essa pessoa, talvez eu nao precise de fato faze-lo, porque eu sei (e sempre soube) quão grande ela é dentro de si.


Talvez esse comentario nada tenha a ver com seu texto, mas sinceramente, foi a primeira coisa que me veio em mente ao ler esse texto.

Obrugada por deixar meu domingo menos Carnavalesco!

Bjs

GJ disse...

Sou péssimo pra comentários. Mas ver esse post me faz lembrar da propaganda que temos hoje em dia, em que um aidético pede abraço na rua... Coragem não é somente expôr o problema, mas ser capaz de enfrentá-lo e superá-lo. E sozinho, é sempre mais dificil.

So be it.

Leozoide disse...

fully agreed!

mas sem mais comentários pelo sono que me acomete...