Já tem mais de semana desse texto, mas a ansiedade que me acordou hoje foi tanta que eu não podia mais ficar sentada pensando na vida ao invés de me vestir, sair pra ver o sol (ou rezar pra não pegar chuva) e ter mais um pouco do último parágrafo enquanto ainda estou por aqui...
Trampando como interprete num evento uma semana inteira, em pé, de camisa escura, debaixo de uma tenda quente, com a bota cozinhando meu pé e usando copinhos de água mineral pra manter a cabeça fria, me preparando pra mais 10 dias como fiscal de quadra em olimpíadas.
Não, isso não é uma reclamação.
É só o cenário que eu realmente ADORO. Apesar da peãozada sem noção, dos estudantes baderneiros, dos criadores mal-educados, organizadores sem comunicação e cerimonialistas sem expediente.
Eventos grandes me instigam, porque é preciso muuuito cuidado pra planejar, organizar, conduzir, concluir, e paciência o tempo todo pra lidar com os egos mais diferentes que se possa imaginar. A gente vê o resultado na hora, e pode previnir falhas numa próxima edição.
E nessa feira eu pude ter meus minutinhos de glória, como estágio na produtora, porque eu me ofereci pra ajudar e descobriram habilidades que duas pessoas não estão atendendo. Tinha hora que eu não podia nem ir ao banheiro, porque se gringo chegasse, era só eu pra salvar a pátria. Detalhes como ter sido indicada por ex-colega, elogiada por ex-chefes, referência para ex-professores me fazem ver que tudo que foi feito até agora valeu a pena, e que consegui ultrapassar a barreira de mera "menina do cerimonial", e que o carinho que têm por mim é pela profissional que me tornei, a pessoa em quem podem confiar.
Eu sei que sou diferentona num monte de coisas, e já fui tachada de louca por pegar carona pra visitar gente, me oferecer pra ajudar desconhecidos, me arriscar em empregos que me pareciam oportunidades de ouro e deixar empreguinhos pra trás, conversar com gente que ouvi uma parte da conversa e achei interessante. Aí hoje eu conheci a Terry, uma menina de cinquenta e poucos, que veio sozinha da Florida, e por quase uma hora batendo papo - em inglês - e dando gargalhada sobre como tem gente que perde as pequenas alegrias, trocamos email e um abraço cheio de energia positiva, e quem não tem medo de parecer louca só porque se faz o que gosta. e ela foi embora, dizendo que é por medo de se jogar e ver que é possível ir mais longe que as pessoas se coibem, se conformam.
Fiquei com a sensação deliciosa e que realmente existe uma conspiração no universo. Mas é para que as coisas não só continuem mudando para melhor, mas que tem muita gente querendo mudar, e não fazendo nada, e eu aproveitando essa energia no ar e correndo atrás do que eu já não tenho tempo nem paciência mais de sonhar, preciso conseguir.
Só faltava mesmo encontrar o namorado... Compartilhar essa alegria, comemorar pequenas vitórias, me deixar iluminar pelo sorriso manhoso que me diz sempre "relaxa..." e ri gostoso... E poder curtir o silêncio pleno e o beijo carinhoso e cheio de saudade que eu deixei na rodoviária 15 dias antes...
Até nisso tem alguém lá em cima que eu acho que vai com a minha cara...
Valew aê, hein!!!
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