terça-feira, setembro 28, 2010

Caixa de Pandora

Tenho verdadeiro horror de superficialidades. Eu sei que exagero, a .Intense. cansou de dizer que eu sou 8/80: me jogo de cabeça ou passo a nem me importar de uma hora pra outra.

Quando eu fiz minha primeira tatoo, eu acho que passei uns 2 anos pensando onde, o que, daqui a 50 anos, sigificado, impactos. Apaixonei! E sempre me falavam que o perigo é só a primeira, que aí perde o medo e quer tatuar até a testa. Só que eu fiz caca. Arrependi hora que eu vi pronta. Mas além de eu não querer refazer outra coisa esquisita, vim maquinando tem uns 2 anos. E já tem uns 2 meses que a figura tá decidida. Semana que vem eu posto a cicatrização.

Como acontece de tempos em tempos - trimestralmente, quase - eu dou um limpa geral: roupa, papel, livro, decoração. E eu acabo deletando trocentas coisas também. As fotos da minha formatura fui mexer esses dias, que bateu uma puta saudade de ir pra biblioteca ao invés de ir pra aula só pra bater papo com a patotinha. Aí eu fui achar umas outras coisas que não faziam parte do momento "sorriso espontâneo". Tinha foto minha, linda poderosa, de beca, que eu deletei porque me deu angústia. Nessa leva foi um monte de arquivo morto. E meu HD virtual ficou mais limpo, minhas lembranças mais leves. Tudo pronto pras coisas novas e que realmente levam minha vida pra frente.

Eu não sei mais viver de retrocessos. Não volto. Pra Patos, pra graduação, pra ex, pra empreguinho, pra pensionato, pra DRs já encerradas. Sou mais esgotar todas as possibilidades de uma situação, pra quando sair, nem pensar em olhar pra trás. Não me arrependo de nada que eu fiz - apesar de não me orgulhar de tudo - muito menos do que eu deixei pra trás, pra ficar lá atrás.

Mas tem hora que de tanto querer fincar o pé quando eu tomo uma decisão, eu viro as costas muito bruscamente, e não dá tempo de todo mundo acompanhar. Aí ficam resquícios que eu nem lembrava, que "aparecem" e detonam com todo meu sentimento serelepe e tranquilo.

Tem gente que considera as memórias uma caixa de Pandora. A minha é justamente o que eu não faço questão de lembrar. E quando alguém vê, e não sabe de todo o processo, vix... Só que ultimamente eu tenho feito questão de futricar passado, limpar tudo. Limpar, mesmo, no sentido de reorganizar, eliminar lodinhos que vão ficando pelos cantos, deixar agradável, vazio, pronto pro presente, pro que eu tô vivendo e ainda quero viver com quem tá comigo hoje, em paz, inteira, infinitamente sorridente e sabendo que faço alguém feliz pelo que me tornei.

Normalmente eu demooooro até tomar uma decisão. Mas quando tomo é simples, tipo interruptor: click!

3 comentários:

GJ disse...

Vantagens e desvantagens de viver intensamente. Não existem meio-termos. Não há risco de guardar gostos amargos, assim como não sobram doces lembranças.

So be it.

Anderson Galhardi disse...

QUE BALELA!

HMH disse...

Já dizia Herbert Viana, que apesar de flamenguista é um cara legal:

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim