terça-feira, novembro 03, 2009

Feriado...

Ir pro rancho invariavalmente me coloca num divâ a céu aberto (a uma belíssima paisagem pela frente...)

Mas num feriado de finados, resolvi dar espaço aos que já se foram - e ainda se fazem tão presentes. Alguns ergueram impérios do nada, pra não depender dos outros pra ter uma vida confortável. Impérios nem sempre materiais, que dariam sustentação financeira, mas de valores morais, como é o caso do meu vô Roberto.

Ninguém da nossa família ficou rico. Ninguém tem a tranquilidade de tirar férias quando quiser ou fazer passeios invejáveis quando der vontade. Aprendemos a conviver com roupas de brechó, sapatos em liquidação e bolsas de estudos (só assim pra poder sobrar um pra presentes, festas e um pulinho no rancho de Furnas). Sempre tivemos muitas gargalhadas pra compartilhar, pudemos sempre contar uns com os outros. Quando não conseguimos compreender um defeito, apegamo-nos às qualidades. Gostamos de trabalhar, somos excelentes no que fazemos, cada um na sua área, e aprendemos os nossos limites, e que não há carreira que compense a falta de um fim de semana regado à lembranças e conversas amistosas...

Quantas vezes eu já sonhei com coisas que, certamente, meu avô também sonhara... entretanto ele nos deixou de herança algo que ninguém, jamais, poderá nos tirar: família.

Diante do seu túmulo, que de vez em quando eu ia visitar e sentava em cima só pra ficar olhando aquela fotinha em silêncio, nesse feriado eu chorei, pela primeira vez. Não pude dizer nada senão "obrigada".

Que cada um, com seus lutos e pesares, possa saber valorizar aquilo de mais precioso lhe foi deixado. E se o saldo final não for positivo, reflita o quanto daqueles erros te permitiram uma vida de mais acertos.

Raízes que não podem mais nutrir tem a sua hora de se perder. Mas passam a compor um solo mais fértil, onde seus frutos agora tem a liberdade de criar as suas próprias raízes. Ficar firme nem sempre é se manter sóbrio, mas equilibrado.

Um comentário:

Rodrigo Barbosa disse...

Sem palavras...

Só a lembrança feliz e emocionada do meu grande PAI...

Digo

>> um dos felizardos filhos que conviveu e admira muito ainda aquele homem.